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A utilização de protecção é essencial para uma vida sexual plena e consciente
"Ana Gomes - 34 anos"
 
Direcção-Geral da Saúde
 Dia 6 de Fevereiro: Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.
 
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A Direção-Geral da Saúde associa-se a este evento chamando a atenção de todos os profissionais de saúde para esta realidade, em particular daqueles que prestam cuidados a mulheres e crianças. O facto de Portugal receber cada vez mais migrantes oriundos de Países onde a Mutilação Genital Feminina (MGF) é uma prática comum, torna fundamental que os profissionais de saúde se sintam sensibilizados para reconhecer e agir nestas situações.

A MGF não é apenas uma questão física ou anatómica. Esta prática enquadra-se num universo sociocultural e religioso próprio que modula a forma como a mulher vive, pensa, sente e é vista na sociedade. Para estabelecer uma relação de proximidade com estas mulheres é essencial estar familiarizado com esta realidade. Sem isso, não é possível estabelecer intervenções adequadas e eficazes.

O papel dos profissionais de saúde é também de participar ativamente na promoção da saúde. Este é sem dúvida um tema em que a intervenção comunitária é essencial. Dando a conhecer as complicações que esta prática acarreta na saúde da mulher e fomentando a criação de soluções alternativas no seio da comunidade para os rituais. As melhores intervenções serão as que fomentarem uma mudança de atitude (social e individual) face à sexualidade e ao papel da mulher na sociedade. Não esquecendo que os homens constituem um elo essencial nesta mudança de comportamento, é importante inclui-los nas ações a promover.
Combater a mutilação é também falar sobre o tema e dar a conhecer a realidade, nomeadamente através dos dados que vão sendo registados na Plataforma de dados da Saúde pelos profissionais de saúde.
A Plataforma de Dados da Saúde (PDS) é uma plataforma web que permite o registo e a partilha de informação entre as diversas instituições de Saúde do Serviço Nacional de Saúde. Pode ser utilizada por todos os médicos e enfermeiros que exerçam funções nessas instituições. Foi criada em 2012 pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e conta com mais de 35.000 acessos diários.
Deste registo de informação clínica é possível extrair de forma anonimizada o conjunto de dados constantes do registo, a nível nacional e num determinado momento. Como os dados são extraídos do registo clínico de cada utente não é possível a duplicação de registos.
Foram registados 99 casos de MGF entre Abril de 2014 e Dezembro de 2015.
A análise dos registos introduzidos na plataforma de dados da saúde PDS entre abril de 2014 e dezembro de 2015 revelou 99 casos de mutilação genital feminina, em que a média etária de realização da mutilação foi de 5,9 anos. Esta prática foi realizada maioritariamente na Guiné-Bissau (56%) e na Guiné (24%). No que diz respeito ao tipo de mutilação encontrada, 34% eram do tipo I, 62% do tipo II e 4% do tipo III.